Nove luas saturno envolveu em seu mistério,
nove luas crismando sobre a fronte,
a epifania da imagem.
Nove passos na linha térrea sobre o gesso:
o autómato arquitecto viola a púrpura do tempo,
condenado a dançar a imobilidade da voz
no pensamento. Recolhe-se a noite, recolhe-se
o poeta. Quando o silêncio vier, brilhará o astro
a [...]
Julho 26, 2008
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A nuvem evoca a noite prematura,o enigma
da sombra, o horizonte da luz, um mergulho
no passo atravessa a pedra, as sirenes ensaiam
sobre o cais a tatuagem remota do universo.
Os pássaros adivinham a súbita queda das árvores,
o caminho onde os sinais de uma geometria incerta
desenham veredas de um labirinto de asas,
peregrinação ao lugar [...]
Julho 22, 2008
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Ao lugar da boca, a essa memória regressavas,
por essas mãos estendidas de um vitral escondido
num canto triângular de uma igreja: ter a varanda aberta
sob o terremoto, a caneta afiada, o pano branco, as letras
arando o campo secreto a fogo, e vais entrando em mim
e contigo nasce o mar: tatuagens, cicatrizes, fábulas,
o gosto [...]
Julho 12, 2008
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Há o estilhaço de um deus à deriva,
tão vasto, quase raro, acontecia.
O deus talhava o corpo de alquimia,
tão vasto era o silêncio e se movia.
Interrompido o gesto e a palavra,
anónimo, o deus caminharia
a única geografia do possível:
toda a cidade inteira que respira.
Julho 8, 2008
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Quando a solidão embriaga as cordas do pensamento,
a cara escorre entre os dedos, entre a proveta
e a fórmula: escreves o céu num laboratório e a criança,
onde te demoras, bebe o filtro mágico, pensa, sonha
e a cor do sonho pensado é como a água de outro sonho
que pensa. Nada é mais real. Sob o [...]
Julho 6, 2008
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O mundo é um livro aberto,
o livro do firmamento.
O teatro da mão, a prova da imagem
e atenção ao flash:
cordão umbilical
do universo. Poder, nome, coisa,
o símbolo avisa, salva a história antiga:
o nascimento do primeiro dia.
Representar, brincar a gramática da vida,
ver, ouvir, falar a alma à vista.
O livro é a máquina da eternidade,
o mundo mais próximo:
a [...]
Julho 6, 2008
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