O poema é a dissecação de um cadáver vivo. Onde
o sol descreve um círculo na carne, a boca ao erguer
o peso da terra tombará como uma folha morta sobre
a margem da cara. Em vão é tudo o que se diz sem
odor a sangue, sem beber de um trago o contraste da
tinta aberta no quadro, a nódoa confunde-se com o tecido
geométrico do tédio, o traço de giz na pedra. Abrir as
veias com a sede de quem respira o apocalipse da espera
no vazio do corpo. Em oferenda ao primeiro lance de
escada: o sangue onde o ar comprime a boca da página.
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