A boca da página

O poema é a dissecação de um cadáver vivo. Onde

o sol descreve um círculo na carne, a boca ao erguer

o peso da terra tombará como uma folha morta sobre

a margem da cara. Em vão é tudo o que se diz sem

odor a sangue, sem beber de um trago o contraste da

tinta aberta no quadro, a nódoa confunde-se com o tecido

geométrico do tédio, o traço de giz na pedra. Abrir as

veias com a sede de quem respira o apocalipse da espera

no vazio do corpo. Em oferenda ao primeiro lance de

escada: o sangue onde o ar comprime a boca da página.

1 Comentário(s)

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