Dança vertical

 

A dança vem renascer a morte prematura

da terra e dionísio bebe o sémen no caule

 

efémero. Sobre os alicerces de água, a dança

vem soletrar os ventos a sustentar a oriente  

 

o hemisfério de desdémona – a boca unida

ao carrasco é prenhe de mistério e o cálice

 

derrama a palavra cega do universo ao sabor

da arte da balança. A dança vem acender  

o rumor das folhas em presença e lenta fere

 

o rio nas margens ao abrir à dor volátil os frutos

de maria e o ventre azul crescia a ouro e prata

sob o manto frio. Vem pela raíz e assim regressa

 

vertical a dança: quatro braços nus nas direcções

do espaço e o quinto oculto contempla a graça. 

 

1 Comentário(s)

  1. Pura magia!


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