Ao Zé Galvão
É esse o teu lugar. As nuvens cantam a geração do mar,
sempre o mar, vaga mente o mar e o teatro do mar,
inadiável mente e tão só mente em si – semente aparecida
de qualquer lugar. É esse o teu lugar. Clara é a passagem
à sonoridade pura, ao sangue imóvel, à mágica textura;
e o corvo vem bater contra as árvores, cego pela febre
branca dos telhados, e paralela à vertigem das asas, a
respiração do mundo é o presságio: é esse o teu lugar.
O pêndulo tece a natureza efémera da terra. A noite acende
a cor de uma vela num fatigante açaime de cadela: o teu
lugar. As nuvens reclamam o movimento perene desse lugar.
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Gosto deste poema que fala de um lugar encantado onde “a respiração do mundo é o presságio”. Muito bom!