Lugar

 

Ao Zé Galvão

 

É esse o teu lugar. As nuvens cantam a geração do mar,

sempre o mar, vaga mente o mar e o teatro do mar,

inadiável mente e tão só mente em si – semente aparecida

 

de qualquer lugar. É esse o teu lugar. Clara é a passagem

à sonoridade pura, ao sangue imóvel, à mágica textura;

e o corvo vem bater contra as árvores, cego pela febre

branca dos telhados, e paralela à vertigem das asas, a

 

respiração do mundo é o presságio: é esse o teu lugar.

 

O pêndulo tece a natureza efémera da terra. A noite acende

a cor de uma vela num fatigante açaime de cadela: o teu

lugar. As nuvens reclamam o movimento perene desse lugar. 

 

1 Comentário(s)

  1. Gosto deste poema que fala de um lugar encantado onde “a respiração do mundo é o presságio”. Muito bom!


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