O cântico da casa

 

Sob as narinas fumegantes da cidade, o tempo amortalhou

a silhueta no olhar  -  um espelho e calaram-se as gargantas

no segredo com pálpebras atreladas a um carro de vulcões

 

alados. O piano tocava a primeira valsa no atalho secreto

da palavra, ascensão e queda do dilúvio, o sol a meia

lua sobre a mesa, a linha dos barcos lançava a rede sobre

 

o gráfico da casa. Viajante no dorso das escalas, o rosto

abraçava o teclado na infinitésima parte do recado, aposta

múltipla das águas e um manuscrito revelava que o segredo

 

era como o esboço labiríntico da cara. O tempo abria a cicatriz

na cara, um riso saboreava o travo a mel da casa e nas asas

bordadas em tecidos de mármore as parcas afiavam as unhas 

com um grito de quebrar feitiço a assombrar o cântico da casa.

 

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