O tempo cristalizava adivinhas com títulos de filmes, palmeiras
generosas de taiti, uma página em carne viva de um romance
de dostoievski; e na pele temperada pela razão, o cigarro aceso
lembrava a lâmpada que trazia consigo a luz da de uma gravura
colorindo o livro de eleição: tróias em camadas sobrepostas bem
no fundo das pupilas e um parto de múmias em surdina – temos
casa com número na porta e em cima da secretária repousa a
cabeça de um patrão mais dócil do que um cão. Amén. Esta missa
é negra e pela encosta sopra a alma danada dos telhados: vinte e
dois minutos de ilusão – diga-se de evasão – e o jardineiro esquizo
frénico modela as árvores com a forma tosca de um homem com
asma de erosão; e nunca é sem dor o trabalho que afaga a tiros
de fogo a voz que clama a hora certa, o trilho, a rota da lotaria.
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poema visionário